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"Apanhei um dos últimos voos a sair de Teerão", revela Antonio Adán


 Antonio Adán, guarda-redes espanhol do Esteghlal, conseguiu abandonar o Irão num dos últimos voos antes do encerramento do espaço aéreo. Já Munir confirmou ter chegado à Turquia por via terrestre.

O guarda-redes espanhol Antonio Adán, que atualmente representa os iranianos do Esteghlal e conta com passagens por Real Madrid, Atlético de Madrid ou Real Betis, desembarcou este sábado na capital de Espanha num "dos últimos voos" a descolar de Teerão. A partida ocorreu momentos antes do bloqueio do espaço aéreo na região, na sequência da ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.


O guardião explicou que o eclodir do conflito o surpreendeu precisamente no momento em que abandonava o país, o que lhe permitiu rumar a Madrid para junto da família, tal como relatou em entrevista ao programa 'Tablero Deportivo' da Rádio Nacional de Espanha (RNE).


Na manhã de sábado, Israel e os Estados Unidos lançaram ataques contra o território persa, com relatos de explosões em Teerão e noutras cidades, como Tabriz (noroeste) e Isfahan (centro). Em resposta, o Irão disparou mísseis e drones contra bases militares norte-americanas localizadas no Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos, além de centros militares em solo israelita, segundo informou a Guarda Revolucionária.


Adán descreveu que o país atravessava uma situação "tensa" desde os protestos de janeiro, que exigiam reformas no sistema político, mas sublinhou que a rotina era de normalidade, apesar da constante ameaça de ataques por parte de Israel ou dos Estados Unidos.


"É verdade que as notícias sobre possíveis ataques foram frequentes nestes meses e, no outro dia, chegaram a avisar-nos de que estas 48 horas poderiam ser decisivas. No final, foi mesmo agora que o conflito escalou", afirmou.

Se o guarda-redes espanhol conseguiu fugir a tempo, o mesmo não se pode dizer do seu colega de equipa, o hispano-marroquino Munir El Haddadi (ex-jogador de Barcelona, Getafe ou Las Palmas), nem de Iván Sánchez, jogador do Sepahan e antigo extremo do Real Valladolid. Com o espaço aéreo interdito, ambos tentam agora a saída por estrada.


"Eles não tiveram tempo de sair. O meu voo era às 6h30 com destino à Turquia; o deles estava marcado para as 9h, rumo ao Dubai, e já não conseguiram descolar. Tiveram de seguir por via terrestre. Não consegui falar muito mais com eles porque as comunicações e a internet estão muito instáveis", explicou.


"Ainda não retomei o contacto, mas, pelas informações que temos, a viagem será longa, pois são muitas horas até à fronteira. No entanto, parece ser um percurso seguro", acrescentou.


Já este domingo, o próprio Munir confirmou através das suas redes sociais que conseguiu abandonar o Irão: "Quero agradecer todas as mensagens e a preocupação. Ontem a intenção era sair por via aérea, mas fomos retirados do avião e não conseguimos descolar. O clube disponibilizou-me um carro para poder sair do país por estrada e, graças a isso, cruzei a fronteira sem problemas. Neste momento encontro-me em segurança na Turquia e chegarei a Espanha nas próximas horas".


Apesar de admitir que inicialmente teve dúvidas, Adán reforçou que Teerão é uma cidade "totalmente segura", onde se pode fazer "vida normal", tendo inclusive recebido visitas de familiares recentemente.


O guardião revelou ainda que, após a vitória de sexta-feira por 2-1, o técnico da equipa, Sohrab Bakhtiarizadeh, concedeu dois dias de folga ao plantel. Adán aproveitou a pausa para regressar a Espanha, embora agora encare o futuro com incerteza.


"Tínhamos o regresso marcado para esta segunda-feira, mas é óbvio que não podemos voltar com o espaço aéreo fechado. Ainda não conseguimos falar com o clube devido ao corte nas comunicações. Percebemos que o regresso é impossível e, nestas condições, a ideia passa por não voltar", concluiu.

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