Com uma desvantagem de quatro golos e a história como principal adversária, os catalães procuram, nas meias-finais da Copa do Rey, um milagre idêntico ao de 2017.
Meia-final
FC Barcelona
22:00
Atlético de Madrid
03 MAR
Há uma razão clara para que o termo “remontada” volte a dominar o discurso em torno deste duelo — e não é por ser algo habitual. Muito pelo contrário.
O FC Barcelona prepara-se para a segunda mão das meias-finais da Copa do Rei sob o peso expressivo de uma derrota por 4-0 frente ao Atlético de Madrid na primeira mão. Um resultado que, historicamente, tem significado: eliminação quase certa. A dimensão do desafio é enorme e raramente teve paralelo na história do emblema catalão.
Sempre que o Barcelona perdeu por quatro golos de diferença numa eliminatória a duas mãos — seja fora (4-0) ou em casa (0-4) — conseguiu inverter a desvantagem apenas uma vez. Um único antecedente em mais de um século de competição.
Esse momento deu-se na temporada 2016/17, diante do Paris Saint-Germain, quando a derrota por 4-0 em Paris foi anulada com um memorável triunfo por 6-1 no Camp Nou. Um jogo que entrou para a história do futebol europeu e que permanece como referência sempre que se fala em reviravoltas improváveis.
Fora esse episódio, os registos são claros: desvantagens desta magnitude raramente são superadas. Ainda assim, é precisamente essa exceção que mantém viva a crença entre adeptos e jogadores de que, no futebol, o improvável pode se tornar realidade.
Na temporada 2018/19, depois de uma vantagem de 3-0 na primeira mão frente ao Liverpool FC, os catalães acabaram goleados por 4-0 em Anfield, numa das eliminações mais marcantes da era moderna. Já em 2012/13, o Bayern de Munique impôs um pesado 4-0 na Alemanha, confirmando depois o apuramento sem margem de dúvidas.
Em 2015, foi o Athletic Bilbao a decidir a Supertaça de Espanha com um 4-0 na primeira mão. Mais recentemente, em 2022/23, o Real Madrid venceu por 4-0 no Camp Nou, também na Copa do Rei, anulando a desvantagem da primeira mão e afastando o rival.
Um pesadelo recorrente na Taça
A prova rainha do futebol espanhol tem sido particularmente dura para os blaugranas em contextos semelhantes. A derrota por 4-0 frente ao Getafe CF em 2006/07, o 4-0 imposto pelo Atlético de Madrid em 1988/89, o mesmo resultado diante do Valencia CF em 1978/79 e a goleada sofrida contra o Real Betis em 1932/33 integram uma lista pesada.
Ainda mais atrás, em 1929/30, após uma eliminatória intensa diante do Athletic, uma derrota por 4-0 no jogo de desempate selou a despedida da competição.
Os números revelam um padrão inquietante: sempre que as partidas resvalam para o caos e para margens dilatadas, o Barcelona tem sentido dificuldades em reagir. A Copa do Rei, com ambientes tradicionalmente hostis e pouca margem de erro, expôs várias vezes essa fragilidade.
Perante este contexto, a vantagem de 4-0 do Atlético parece enquadrar-se numa continuidade histórica. As estatísticas apontam para uma eliminatória praticamente decidida. O próprio passado do clube reforça essa leitura: apenas uma recuperação de quatro golos contra várias eliminações.
Contudo, o futebol não se resume à lógica fria dos números. Nove anos depois da sua maior reviravolta europeia, o Barcelona tenta escrever nova página de superação em solo doméstico. A probabilidade é reduzida. O precedente é único. Mas, como ficou demonstrado em 2017, “quase impossível” não significa “impossível”.


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