As meias-finais da Coppa Italia arrancam no Stadio Sinigaglia, com o Como 1907 a anfitriar o Inter de Milão. Para Cesc Fabregas e os seus pupilos, a ocasião é, por si só, um marco histórico. Contudo, para selar a sua ascensão meteórica, terão de derrubar um muro que resiste há quatro décadas.
Meia-final
Como
22:00
Inter
03 MAR
O Como não conhece o sabor da vitória frente ao Inter de Milão desde 1985. Nos 14 confrontos realizados desde então, o balanço é desolador: 12 derrotas e 2 empates, refletindo o fosso histórico entre os dois emblemas.
Nos últimos encontros, desde o regresso do Como à Serie A, o clube de Fabregas mediu forças com o Inter em três partidas, saindo derrotado em todas, com os seguintes resultados: 2-0, 2-0 e 4-0. Ao todo, o Como sofreu 8 golos e não marcou nenhum, enquanto o Inter manteve a sua baliza inviolada, reforçando a disparidade entre as equipas.
Apesar deste histórico adverso, o cenário atual não é apenas de inferioridade: o Como encara o desafio como uma oportunidade de reinventar o seu destino. Desde a subida da Serie B em 2023/24, os Larianos mostraram que a permanência na elite italiana era um objetivo curto para as suas ambições. A administração audaz e uma identidade técnica bem definida permitiram estruturar um plantel capaz de ombrear com os gigantes do Calcio.
No banco, Fabregas, ainda nos primeiros passos da sua carreira como treinador, implementou rigor tático, confiança e um futebol proativo, potenciando jovens talentos e preparando a equipa para desafios como o duelo contra o Inter. A história recente pode ser adversa, mas a determinação do Como mantém viva a esperança de quebrar o ciclo negativo.
A prestação do Como no campeonato tem mostrado de forma inequívoca o crescimento do projeto liderado por Fabregas. Duas vitórias sobre a Juventus serviram como alerta: o Como chegou como candidato sério, enquanto empates frente a Napoli, Atalanta e AC Milan reforçaram as suas credenciais. Triunfos contra Lazio e exibições de gala diante da AS Roma confirmaram a maturidade do projeto.
Na Taça de Itália, o Como também tem seguido uma trajetória ascendente. Nos quartos de final, eliminou o Napoli após desempate por grandes penalidades, injetando confiança e ambição no balneário e preparando o palco para uma meia-final carregada de simbolismo. A final parece agora ao alcance de um braço, mas a missão passa por superar um obstáculo histórico: o Inter de Milão.
Os Nerazzurri, orientados por Cristian Chivu, permanecem o único gigante por riscar da lista do Como. Organizados, letais e defensivamente sólidos, dominam os confrontos recentes com autoridade. O guarda-redes Yann Sommer tem-se exibido em alto nível, protegido por uma linha defensiva que deixa pouca margem de erro.
A noite de terça-feira no Stadio Giuseppe Sinigaglia transcende uma mera primeira mão: é um referendo à metamorfose do Como. Fabregas aposta na imprevisibilidade de Nico Paz, na visão de jogo de Martin Baturina e no instinto predatório de Anastasios Douvikas para tentar surpreender o Inter.
Para anular a desvantagem histórica de 8-0 no agregado dos últimos jogos, será necessário combinar intensidade com eficácia e temperar a ambição com frieza nos momentos decisivos.
Com a segunda mão marcada para o Stadio Giuseppe Meazza, no final do mês, o Como tem um objetivo claro: viajar para Milão com a eliminatória em aberto e escrever uma nova página na história do clube. Quebrar um jejum de 40 anos significaria mais do que um passaporte para a final — seria a confirmação da ascensão definitiva do Como à elite do futebol italiano.


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